A empresa Solis Energia Renovável, listada na B3 como SOLI3, acaba de dar um passo estratégico rumo à consolidação do litoral sul como polo de biocombustíveis. A companhia recebeu em março de 2026 a licença prévia para implantação de uma nova usina de biodiesel no município de Rio Grande (RS), somada a um crédito de R$ 300 milhões aprovado junto ao Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). A previsão é que a planta inicie operações em 2027.
O projeto posiciona a região como novo vetor produtivo e logístico de combustíveis renováveis, com foco no abastecimento dos estados do Sul e Sudeste e eventuais exportações via o Porto de Rio Grande. Com capacidade projetada de até 300 milhões de litros/ano, a unidade também deve ampliar a capacidade de refino e distribuição de óleo vegetal (OV), contribuindo para toda a cadeia agroenergética da região.
Localização estratégica e conexão com Santa Catarina
A escolha por Rio Grande não é casual: o município abriga um dos portos mais dinâmicos do Brasil e está conectado por rodovias e ferrovias ao eixo SC–RS, criando condições logísticas ideais para escoamento e distribuição, inclusive até Santa Catarina. Para investidores e operadores regionais, o projeto da Solis cria sinergia direta com cadeias produtivas de soja, sebo bovino e óleo reciclado — insumos fundamentais para a produção de biodiesel — que têm forte presença no território catarinense.
Além disso, a proximidade entre Rio Grande e polos como Imbituba, Araranguá e Lages favorece futuras operações intermodais e parcerias privadas para fornecimento de matéria-prima, armazenagem ou uso industrial. A Solis já declarou que pretende estabelecer centros de coleta e distribuição regionalizados, ampliando sua presença no sul.
Biodiesel como vetor da transição energética
O projeto integra o plano de expansão nacional da Solis Energia, que atua com biocombustíveis, energias renováveis e trading agroindustrial. A empresa enxerga o biodiesel como peça-chave para a descarbonização da matriz de transporte brasileira, especialmente em segmentos pesados, agronegócio, logística e geração distribuída.
Com a nova planta, a expectativa é gerar mais de 150 empregos diretos e 300 indiretos, além de movimentar economias locais ligadas à agricultura familiar, reciclagem e serviços logísticos. A produção atenderá às exigências da nova mistura obrigatória (B15) e poderá ser ampliada para atender à demanda de blends industriais e contratos internacionais.
Sul do Brasil na liderança da energia limpa aplicada
A chegada de um investimento dessa escala reforça a posição estratégica do Sul na agenda energética nacional. Entre usinas de etanol de milho em SC e PR, parques eólicos em implantação e agora a planta de biodiesel da Solis no RS, a região consolida um modelo produtivo mais limpo, com base agroindustrial e conectividade logística.
Para Santa Catarina, a movimentação abre oportunidades de integração com operadores e produtores locais, além de fortalecer o ecossistema energético regional que une inovação, segurança alimentar e sustentabilidade.
